terça-feira, 5 de setembro de 2017

Braga, na segunda metade do sec XX... história contada por Calendários de bolso (2)



O assunto que me traz aqui tem a ver com o universo livreiro desta cidade há cerca de 50 anos atrás.
Quando começavam as aulas (normalmente no início de Outubro) havia uma movimento estudantil bastante curioso em torno das livrarias,  Não é propriamente a aquisição de livros a que me refiro, mas sim a procura, ou pedincha, de horários. Nesta época, era normal, por exemplo, ver-se a Rua do Souto, cheia de rapaziada que, em todas as livrarias, pediam um horário.
Por isso acaba por ser fácil falar sobre as nossas livrarias da época.

Falemos hoje da Livraria Victor e o que os calendários nos dizem desta livraria:

Do calendário de 1962 ficamos a saber que esta livraria nasceu em 1947.
A livraria situava-se na da Rua dos Capelistas, onde se manteve até ao momento em que o edifício foi demolido para dar lugar ao Centro Comercial Santa Bárbara ( é verdade que o aspeto da Rua Justino Cruz, nas traseiras da Rua dos Capelistas não era muito favorável e era necessário fazer qualquer coisa, no entanto parece que a solução encontrada não terá sido a melhor).
A designação que acompanha esta livraria é "Centro Cultural do Minho". E evocam-se 15 anos aos serviço da CULTURA...
 

Do calendário de 1963 e dos seguintes retira-se que o símbolo utilizado para identificar a livraria era um farol (pretenderia guiar a CULTURA dos bracarenses?) . 

 

Em 1970 ainda consta apenas o estabelecimento na Rua dos Capelistas, mas no calendário de 1972 nota-se que existe agora uma filial na atual Rua 25 de Abril, precursora da livraria Oswaldo Sá. Parece haver uma tentativa de aproximação ao liceu D. Maria II.
Essa filial terá sido inaugurada portanto entre 1970 e 1972 (aliás o calendário de 1972 pretende mesmo informar a sua localização).
 


 























Em  1979 aparece uma nova filial, na Rua Conselheiro Januário, na sequência da suposta aproximação aos estabelecimentos de ensino, desta feita junto ao Sá de Miranda.
 

 
 Dos calendários de 1981 e 1982  retira-se que a Oswaldo Sá terá surgido em 1982, ficando a Livraria Victor apenas com os estabelecimentos na Rua dos Capelistas e na Conselheiro Januário, situação que se manteve pelo menos até 1985. E o farol continua...

 
 
E a confirmar, em 1982, surge o 1.º calendário da Oswaldo Sá, no mesmo preciso local ...
 
  
 


Em 1985 a Livraria Victor ainda com dois estabelecimentos, opta por uma série de calendários mais juvenis:

 








Depois do camartelo da Rua dos Capelistas, a livraria Victor ainda ficou alguns anos em frente ao Sá de Miranda, até desaparecer... 
Voltarei a falar de outras livrarias, mas sem que antes aconselhe os mais curiosos que procurem conhecer algo sobre o criador desta livraria,  Dr. Victor de Sá. 
 
 

domingo, 13 de março de 2016

Braga, na segunda metade do sec XX... história contada por Calendários de bolso (1)

Através dum simples calendário de bolso também se pode construir a história de uma cidade.
Cafés, hotéis, restaurantes, padarias, pastelarias, tabacarias, colectividades, instituições, etc... costumam editar anualmente um simples calendário de bolso para serem lembrados ao longo do ano.
Essas entidades têm por regra algo que os distingue, que os identifica mais facilmente ( pode ser a localização perto de algum monumento, a referência aos serviços que prestam, o produto que comercializam, etc) e isso é interessante porque acaba por ser uma forma de se darem a conhecer ao mundo, escolhendo a sua imagem de marca.
Pois bem, vou começar a colocar aqui algum desse material (apenas anterior ao ano 2000)  e aproveitar para  mandar também os meus "bitaites".


Começo pela escola Alfacoop que, em 1989, editou um conjunto de calendários muito interessantes, apresentando desenhos de edifícios/monumentos situados na sua principal área de influência (área circundante de Ruílhe).


 








Estes pertencem ao concelho de Braga, mas os seguintes, são referentes a freguesias dos concelhos limítrofes e perto de Ruílhe os quais pela sua beleza e/ou carácter didáctico, também merecem a nossa atenção:









E assim, meio a brincar se dá um bom contributo para promover e dar a conhecer alguns aspectos da nossa terra. Parece-me que foi uma escolha acertada.
Fizessem o mesmo outras instituições, dando a conhecer as pequenas/grandes coisas que conhecem e que os bracarenses, na sua maioria, desconhecem (ou pelo menos não pararam um pouco para apreciar e valorizar). Fica o repto.


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Falemos agora de escolas de condução. Por volta de 1970/1980, não era fácil tirar a carta de condução. Era costume esperar imenso tempo para se obter o papelinho que nos habilitava a conduzir. Em Braga, havia três escolas: A Escola de Condução Bracarense Serra, a Escola de Condução Sameiro e a Escola de Condução Ribeiro ou Vimaranense, e por sinal todas situadas na Avenida da Liberdade. Muitos candidatos, mas escolas, poucas. Nada como hoje... Se perguntarem a alguém com mais de 50 anos de idade, onde tirou a sua carta, a resposta será muito provavelmente uma destas escolas.
A Escola de Condução Sameiro, na sua página da "internet" refere ser a escola mais antiga da cidade de Braga (alvará nr. 61 a nível nacional) e aponta o ano de 1956 como o ano do seu início. Mas a Escola de Condução Bracarense de João Serra, também refere o 60.º aniversário, ou seja, nasceu igualmente em 1956.  A Escola de condução Ribeiro fala em 59 anos, e segundo refere terá nascido na Rua do Castelo em 25 de Maio de 1956 e posteriormente mudado para a avenida da Liberdade (por cima do Kurika, alguém se lembra do Kurika?), onde ainda hoje se encontrará.
1956 terá sido assim o ano em que se regulamentaram as escolas de condução, abandonando-se o sistema antigo de aprendizagem, o qual tornava cada condutor um potencial instrutor na medida em que permitia que um candidato a encartado conduzisse um carro com um encartado ao lado e desse forma se fosse preparando para se submeter a exame de condução.


A escola de condução Bom Jesus surge em 1985 (na Escoura), já no virar de página, ou seja já no momento da proliferação generalizada das Escolas de Condução, sendo esta a primeira da nova vaga.

 De algumas destas escolas, podemos ver alguns dos calendários que editaram:



Vê-se também que o início da "Serra" foi na Rua dos Chãos e só depois terá passado para a actual Avenida da Liberdade.
Curioso ainda o calendário editado em 1970, em grosso alumínio, podendo funcionar como régua (no verso fazia publicidade à estação de serviço S. Vitor).









Consultando o site do IMTT, podemos ordenar por antiguidade as escolas de condução a operar no concelho de Braga:
61 - Central do Sameiro
62 - Ribeiro 
97 - Bracarense
504 - Bom Jesus
525 - S. Marcos
653 - A Minhota
689 - O & S
690 - Santa Tecla
735 - Olivolante
745 - Didática
748 - Bela Vista
774 - Bracarense Universitária
839 - Zé Ferreira
926 - Bom Jesus (Lomar)
1030 - Tadim
1054 - Quinta das Fontes
1197 - UM
1205 - Braguesa
1210 - Celeirós

E assim, se fez parte da história do ensino da condução na cidade de Braga.



 



















































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